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“A Maioria das pessoas preferiria morrer à pensar; de fato, muitas o fazem.”

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Pare, e olhe as nuvens




         Ali estão as nuvens. Por si nada querem expressar, são um simples símbolo da espontaneidade da natureza. Paro e vejo as nuvens. São brancas, são brancas gelo. Brancas neve. Cinza. Pretas. Azuis? Pare e olhe as nuvens. Proveniente de um tédio total, de uma longa viagem, do escurecer forçado por nuvens escuras e águas que puxadas pela gravidade insistem em querer nos molhar. Proveniente até do acaso, paramos e olhamos as nuvens. Por um só momento, em que o tempo realmente se mostra relativo, um segundo, um dia, um ano. Pare e olhe as nuvens. As vezes, ali, não importa o que você é, não importa se logo atrás delas está deus, ou a beleza de um universo infinitamente grande.Você simplesmente olha, aquele amontoado de formas que aparentemente não significam nada, e como se você controlasse o mundo a sua volta, como se seus sonhos pudessem ser desenhados numa simples folha de papel e exteriorizados para a nossa falsa visão de realidade... Elas começam a tomar forma. Simples acasos naturais.Simples transporte da chuva.Simples fantasia do céu. Pare e olhe as nuvens. Elas agora são o que você quiser. Seus maiores sonhos. Um cavalo. deus. E ali, por um segundo, um minuto ou uma eternidade, você pode ter um universo só seu. Quase como se fosse uma extensão dos seus pensamentos. Você vê suas ideias fora de você. Você vê seus sonhos, como se não fossem só sonhos e eles lhe parecem mais palpáveis. Quando não se dá para ver o céu, o topo, tudo que está no limite da sua visão parece espetacular. É o máximo que você enxerga, mas não o máximo que você pode chegar.Mesmo para aqueles que não veem nada.Ver nada é ver tudo. Ver nada é não especificar. Sonhos mutáveis. Sonhos reais e adaptáveis. Desde aquele que só para para ver o tempo até o que passa tardes inteiras contemplando e brincando com sonhos. Brincando com nuvens. Cérebro fanfarrão. Deixa com que seus pensamentos vaguem fora de casa. Deixa que você acredite que existe um universo só seu. Universo esse que cabe apenas às suas interpretações. Cérebro fanfarrão. Que também é dotado de consciência, e quando você menos espera, o minuto acaba. O dia acaba. A eternidade acaba. Você volta à uma realidade que não é mais só sua. Uma realidade que não depende só das suas interpretações e sim de um conjunto de 'visões' de mundo. E então, você volta à viagem cansativa. Percebe o entardecer e vai para casa. Percebe que vai chover e corre. Cérebro fanfarrão. Recolhe todos os seus pensamentos que quase que involuntariamente fogem do seu comando e esconde-os novamente num ser. ser que talvez nunca mais atente aos seus sonhos. ser que pode parar de existir e nunca mais poder contemplar a exteriorização dos próprios pensamentos. Ser que passa por toda essa sensação estranha e nem sequer percebe. Ser que passa o dia todo fora de casa e não tem a capacidade de olhar para o céu. Pare e olhe as nuvens. Não importa no que você acredite. Não importa onde você mora. Não importa a cor do seu cabelo. Não importa a sua opção sexual. Nada importa. você sempre terá um lugar, profundo ou superficial, dentro dos seus pensamentos mais íntimos, em que nada importa. é o seu universo e você o molda como quiser, assim como as nuvens. Sempre que puder, pare e olhe as nuvens. Ache-se.



1 comentários:

O Variado on 22 de outubro de 2010 16:19 disse...

Fantástico. Fenomenal.
Suas palavras me fazem afagos no cérebro.
Parabéns Rebeca [:

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